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Série : Azul invisível 


A série "Azul Invisível" investiga a tensão entre o registro e o esquecimento, utilizando a pintura para mimetizar a estética dos papéis-carbono exauridos. Através de superfícies saturadas por um azul profundo e visceral, as obras operam como palimpsestos contemporâneos, onde a informação não serve à comunicação, mas à sua própria dissolução.
Historicamente, o carbono é o meio pelo qual se gera a cópia — o duplo que valida o original. Nesta série, contudo, o foco desloca-se da utilidade da cópia para o resíduo do processo. Os grafismos indecifráveis, riscados sobre o pigmento, simulam mensagens perdidas no ato de serem transferidas. O que resta é uma escrita fantasmagórica: uma trama de sinais que aponta para um sentido que já não pode ser acessado.
Assim como um carbono usado repetidamente se torna uma mancha ilegível, a obra reflete sobre como o excesso de registros na contemporaneidade pode levar ao obscurecimento da experiência real. Os grafismos não buscam a palavra, mas a coreografia do esforço. O azul funciona como o campo onde a presença humana é denunciada pelo rastro, mas silenciada pela abstração.
O título "Azul Invisível" ironiza a presença vibrante da cor frente à ausência de conteúdo legível. O que é "invisível" não é o pigmento, mas a mensagem que ele um dia pretendeu carregar.
Em "Azul Invisível", a pintura deixa de ser representação para se tornar vestígio. Ao olhar para estas composições, o espectador é confrontado com o limite da linguagem: o momento em que a escrita se torna textura e a memória, puramente cor. É uma ode ao que foi dito, mas que o tempo e a sobreposição trataram de apagar.

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