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Entre o novo e o nada 
2005

A vídeo-instalação “Entre o Novo e o Nada” tensiona os limites entre o capital imobiliário e a subjetividade do habitar. O projeto, viabilizado por recursos de fomento à cultura, opera no campo da estética relacional e da intervenção urbana para questionar o valor de troca em oposição ao valor de afeto.
A proposta é um gesto radical de deslocamento: a aquisição de uma casa em um bairro periférico do Recife para ser ofertada, em permuta direta, por um barraco em uma comunidade, incluindo todos os vestígios, memórias e pertences de seu morador original. No hiato entre a alvenaria "nova" e a precariedade do "nada" institucional, o projeto revela as engrenagens da gentrificação e da especulação que empurram corpos e histórias para as margens da invisibilidade.
Ao propor essa troca, a obra não busca apenas denunciar o déficit habitacional, mas investigar o pertencimento. O que constitui um lar quando ele é reduzido a um ativo financeiro? A instalação captura o vácuo desse processo, transformando a transação imobiliária em um ato performático que expõe a fragilidade do direito à cidade. “Entre o Novo e o Nada” é o registro do que sobra quando o mercado tenta precificar o impagável: a identidade cravada no território.

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