The Noble Experiment
2013
A proposta da vídeo-instalação, intitulada "The Noble Experiment", explora as tensões entre a engenhosidade humana, o controle estatal e as fronteiras mutáveis da legalidade.
O título da obra faz uma alusão irônica à "Nobre Experiência" (termo usado para descrever a Lei Seca americana), transpondo o fracasso do proibicionismo para a realidade do sistema carcerário brasileiro. Aqui, a destilação de cachaça deixa de ser apenas um ato de indisciplina para se tornar uma metáfora da sobrevivência e da resistência subjetiva.
A instalação coloca em xeque a moralidade das leis: como um produto que é símbolo da identidade nacional e motor da economia externa pode, simultaneamente, ser o objeto que define o crime dentro dos muros?
No centro do espaço, uma estrutura que mimetiza o engenho prisional. Construído com materiais precários e improvisados — resistências elétricas adaptadas, baldes plásticos, serpentinas de cobre e mangueiras É a materialização da tecnologia da escassez, onde o detento transmuta o resto (frutas, açúcar, sobras de alimentos) em "espírito".
No vídeo instalado na sala expositiva, um egresso do sistema prisional, compartilha o "saber-fazer". Sua narrativa não é apenas técnica, mas ritualística. Ele descreve o risco, o tempo da espera e a astúcia necessária para operar o alambique sob o olhar da vigilância. A voz do narrador é o que confere alma ao aparato de metal e plástico.
A vídeo instalação “The Nobel Experiment" convida o espectador a refletir sobre a porosidade das normas. Ao transformar a cela em destilaria, o indivíduo retoma o controle sobre sua própria consciência, desafiando a estrutura que tenta anulá-lo. O "experimento" é, em última análise, a descoberta de que a criatividade humana é indomável e que a linha entre o artesão e o infrator é, muitas vezes, uma questão de perspectiva e poder.