top of page

Arrimo UR11

Duas cadeiras de madeira, destituídas de seus assentos e amputadas em suas estruturas de apoio. O esvaziamento da função original desses objetos opera no limite do colapso, evidenciando a precariedade habitacional e a negligência urbana que ameaçam os territórios periféricos. A vulnerabilidade é física e imediata.

A estabilização do conjunto acontece na intersecção. Uma estrutura de tijolos maciços preenche os vazios e trava o arranjo em um sistema de dependência mútua. A obra reproduz a lógica da arquitetura do mutirão: uma engenharia informal e autônoma, onde a estabilidade não vem de um planejamento centralizado, mas do encaixe e do peso compartilhado entre as partes. O que individualmente cairia, sustenta-se pelo travamento coletivo.

Arrimo UR11 investiga a autoconstrução como tecnologia de sobrevivência. Diante da omissão do Estado, a aliança física entre as peças materializa a solidariedade de vizinhança. O tijolo que une as estruturas converte a escassez em uma infraestrutura tática de permanência e resistência territorial.

bottom of page