Márcio Almeida atua na arte contemporânea com pintura, instalação, objeto e intervenção urbana, utilizando o hibridismo de linguagens para investigar heranças coloniais e tensões geopolíticas. Sua obra opera como uma arqueologia crítica da memória, ressignificando suportes burocráticos e científicos para desacelerar o olhar e evidenciar camadas de sentido ocultas sob o tempo.A poética de Almeida incorpora materiais analógicos e banais — como papéis-carbono, películas e plásticos — para transformar resíduos do cotidiano em matéria poética. Essa abordagem se materializa em séries como Flaps, que sabota diagramas de navegação aérea, e C-14, que utiliza marmitas de alumínio e carvão para dialogar com a sobrevivência e a memória. Outras obras, como Arrimo UR11 e Acuidade, reconfiguram objetos familiares (cadeiras e tabelas optométricas) para criticar ferramentas de medição e evidenciar a precariedade construtiva e a consciência existencial.
